Botucatu, 15 de março de 1999

 

A presente correspondência refere-se à proposta do governo, de aumentar a cobrança do funcionalismo paulista. É continuação de outra enviada em 22/02/99 aos Senhores Deputados da Legislatura passada. Na ocasião não conhecíamos o conteúdo do material distribuido pelo Governador aos Líderes partidários, do qual agora possuimos cópia.

 

Antes mesmo de comentar as alegações e os dados distribuidos pelo governo, é fundamental, Senhor Deputado, atentar para os seguintes fatos:

 

1. O governo e a mídia ignoram completamente os 2% sobre o salário integral que o funcionário ativo paga ao IAMSPE (Aos inativos a vinculação ao IAMSPE é facultativa. Mesmo assim, muitos pagam). Há que dirigir os holofotes sobre o IAMSPE afim de que ninguém mais o ignore.

2. O governo mistura aposentadorias e pensões. Não é correto esse procedimento, porque o funcionalismo paulista - ativos e inativos - recolhe 6% do seu salário integral para o IPESP. É daí que saem as pensões para as viúvas e os dependentes. O Estado deve recolher sua parte - 6% do salário também - mas não o faz desde 1958! E na gestão do IPESP devem participar servidores e suas associações, desde a Constituição de 1988! Até agora, nada! Mesmo sem a participação dos 6% do Estado, o IPESP paga integralmente às viúvas e aos dependentes, com a contribuição exclusiva dos funcionários e ainda sobra qualquer coisa entre R$ 24 milhões e 108 milhões/ano (Cálculado a partir dos dados oferecidos pelo governo).

3. A aposentadoria com salário integral, sem a contribuiçao - pejorativamente chamada de "privilégio" - não é privilégio. O privilégio é a exceção ao direito comum ou à regra geral. Por isso, todo privilégio é odioso. No caso, é a maneira de o Estado compensar seus servidores, que não contavam - e não contam - com alguns dos "privilégios" (que também não são privilégios) concedidos aos trabalhadores da iniciativa privada, como por exemplo:

a) Direito de greve, que os servidores não tinham até 1988.

b) Direito de se sindicalizar, que os servidores também não tinham até 1988.

c) Obrigatoriedade, em muitos setores, do servidor ingressar no regime de tempo integral e dedicação exclusiva, frustrando qualquer outra fonte de renda.

d) O Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, formado pelo patrão. O funcionário nunca teve e não tem. Dá ao trabalhador da iniciativa privada, ao se aposentar, condições de iniciar um negócio, abrir uma firma, enfim, iniciar uma nova atividade lucrativa. O Servidor não conta com isso quando se aposenta.

4.Portanto, abstraindo da SAÚDE ( IAMSPE), paga pelo funcionário, e da PENSÃO (IPESP), coberta, com sobra, pela contribuição isolada do servidor, resta a aposentadoria, dos atuais inativos e dos em atividade, que deve ser coberta pelo Tesouro do Estado, a partir dos impostos, taxas e contribuições do povo paulista como um todo. Com a criação de fundo ou outra alternativa, se for o caso. Porém, sem cortes, ou outros artifícios que diminuam a remuneração. O funcionário - professor, médico, atendente e etc. - é contratado do povo, trabalha para o povo, o qual, através do seu representante, Governador ou Secretário de Estado, na hora do contrato, há 40 ou 30 anos, se comprometeu a custear a aposentadoria integral, quando ela viesse. O contrário disso seria o calote, i.é., fazer a dívida sem a intenção de pagá-la.

5. Por fim, mas não menos importante, ao contrário do que o Governo diz dos servidores federais, que teriam aumento de até 31% dos seus proventos ao entrar para a inatividade (20% de promoção e 11% por deixar de recolher a contribuição), o funcionalismo paulista não tem aumento de qualquer espécie e a qualquer título quando se aposenta.

Esperamos que a Assembléia Legislativa, da qual Vossa Excelência é membro, saiba, com altivez e independência, rechaçar a proposta do Governo, de cortar a remuneração dos seus servidores.

 

Muito respeitosamente,

 

Cecílio Linder - RG 50.536-6 SSP-SC

Praça Carlos Gomes, 152 - Centro

18600-100 - BOTUCATU - SP

ANEXO

No material entregue pelo Governador aos Líderes partidários destacam-se:

Na pág. 1 - O sistema previdenciário é excessivamente oneroso.

O fato de alegar ser oneroso não justifica a proposta de calote.

***********

Para cada R$10 o Tesouro arca com R$8,9

A contribuição dos servidores:R$ 767,5 milhões(quer dizer por/ano)

Na pág. s/n "Distrib. de Funcionários", o governo alega que paga R$ 57.166 milhões/mes, de pensões do IPESP. Dá R$ 743.158 milhões/ano. Sobram R$ 24 milhões ao Tesouro.

Se a contribuição de 6% para o IPESP for calculada pela massa salarial que paga IPESP: R$ 1.182,215 milhões/mes (pág. s/n) , o valor sobe para R$ 71 milhões/mes, ou R$ 851 milhões/ano. Neste caso sobram R$ 108 milhões que voltam aos cofres do Estado.

De qualquer maneira, misturar aposentadorias com pensões não é aconselhável, já que em São Paulo elas não estão atreladas umas às outras.

************

Foi esquecida a contribuição ao IAMSPE.

*************

Na pág. 2 do material, lê-se "O atual sistema de contribuição é insustentável". Nas págs. 2 e 4, 4 gráficos, procuram acentuar o crescimento do peso dos inativos e da folha total de pagamentos. É preciso considerar que o dado para 1988 ainda não foi calculado. Os valores absolutos da tabela da pag. 2 são assustadores, atendem aos propósitos do governo. Contudo, no mesmo material, na pág. 4 vê-se que, na realidade, a participação das despesas de pessoal, em relação à arrecadação, que é o dado que efetivamente interessa, PRATICAMENTE NÃO VARIOU NOS ÚLTIMOS 4 ANOS, MESMO UTILIZANDO OS DADOS APRESENTADOS PARA 1998. Apesar do grande número de aposentadorias dos últimos anos, pelo receio de prejuizos, dadas as ameaças que pairam no ar desde 1995. Isto deve fazer cair o ritmo das aposentadorias nos próximos anos.

***************

Na pág. 5 lê-se que "O atual sistema previdenciário é regressivo na distribuição dos beneficios".

A tabela mostra que quase a metade - 200.000 - recebe 9,4% do bolo. Só na tabela da pág. s/n (Distrib. de Func. por Categ.) se vê que o que o governo chama de distribuição regressiva resulta da massa de pensionistas do IPESP, outras pensões e as complementações de aposentadoria ou de pensão. Apesar de chamar a isso de distribuição regressiva, não há nenhum propósito de aumentar o rendimento dessa população. Porque então invocar o caráter regressivo.

*********

Por fim, na iniciativa privada, quando o patrão pretende mudar alguma coisa, chama o sindicato e apresenta as propostas. Os trabalhadores discutem as propostas, modificam, etc., até que patrões e operários entrem em acordo.

E o patrão "Estado", como procede?

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CONVITE

 

O DEPARTAMENTO DE PREVIDÊNCIA DA ASSOCIAÇÃO DOS DOCENTES E A UNIÃO DOS DOCENTES APOSENTADOS DA UNESP, CAMPUS DE BOTUCATU, CONVIDAM:

 

TODOS OS DOCENTES ATIVOS E APOSENTADOS DA UNESP E DEMAIS PESSOAS INTERESSADAS

 

PARA A REUNIÃO EM QUE SERÁ DEBATIDA A PROPOSTA DO GOVERNO DO ESTADO QUE TRATA DO AUMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DOS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS ATIVOS E APOSENTADOS E INSTITUE CONTRIBUIÇÃO DOS PENSIONISTAS, IMPLICANDO EM PERDA SIGNIFICATIVA DA REMUNERAÇÃO DE TODOS.

 

CONVIDADO: DR. MILTON FLÁVIO, DEPUTADO ESTADUAL

 

LOCAL:ANFITEATRO DO INSTITUTO DE BIOCIÊNCIAS - RUBIÃO JÚNIOR

 

DIA: 25 DE JUNHO DE 1999 (6a. feira)

HORA: 17:00 HORAS

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Abaixo-assinado entregue ao Deputado MILTON FLÁVIO, contendo mais de 400 assinaturas do corpo docente da UNESP em BOTUCATU

Botucatu, 15 de abril de 1999

Excelentíssimo Senhor Doutor MILTON FLÁVIO

Digníssimo Deputado Estadual

Nesta

Senhor Deputado

Na iminência de vermos a Assembléia discutindo proposta de corte na remuneração do funcionalismo estadual - haja visto o documento "Análise do sistema previdenciário do Governo do Estado de São Paulo", no qual o Governo sugere aumento da contribuição previdenciária para ativos e inativos, e institui a cobrança, até então inexistente, dos pensionistas - recorremos à clarividência e ao sentimento de justiça de Vossa Excelência para que não permita à Assembléia aprovar medida tão injusta.

Lembramos-lhe, com a devida vênia, que os funcionários paulistas, ativos e inativos, sempre pagaram - e pagam - 6% do seu salário integral para o IPESP, quantia que tem coberto - e cobre - com folga, a pensão das viúvas e dos órfãos e dependentes; paga ainda 2% do seu salário integral para o IAMSPE (do que recebe muito pouco em troca). Muitos aposentados continuam pagando ao IAMSPE.

Diferentemente de outras categorias, o funcionalismo paulista não recebe aumento, a qualquer título, ao passar para a inatividade. A aposentadoria integral, ao contrário do que afirmam setores do governo, NÃO É PRIVILÉGIO. Todo privilégio é odioso. Vantagem imerecida, exceção ao direito comum e à regra geral. A aposentadoria integral sempre foi a compensação pelas vantagens que outras categorias de trabalhadores têm, como o FUNDO DE GARANTIA POR TEMPO DE SERVIÇO, formado pelo patrão e pago ao trabalhador por ocasião da aposentadoria. O funcionalismo não tem FGTS nem outra compensação que o substitua. De outra parte, em muitos casos o Governo exige TEMPO INTEGRAL E DEDICAÇÃO EXCLUSIVA dos seus funcionários, o que os inabilita ao exercício de qualquer atividade rendosa paralela. Aos funcionários também era proibido, até 1988, FAZER GREVE e FILIAR-SE A SINDICATOS. Aliás, se hoje há a possibilidade de se filiar a sindicatos, na prática tudo funciona como se nosso sindicato não existisse, pois, ao contrário do que acontece na iniciativa privada, nosso patrão, o ESTADO, não convidou os dirigentes sindicais para discutir e encontrar uma solução para as dificuldades que o Governo alega.

Assim, Senhor Deputado, é que nós, abaixo assinados, docentes ativos e aposentados da UNESP, campus de Botucatu, nos dirigimos a Vossa Excelência, na esperança de ver nossos anseios defendidos na Assembléia Legislativa.

NOME ASSINATURA RG

(Continua no verso)

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A GUERRA DOS FUNCIONÁRIOS EM ATIVIDADE CONTRA OS APOSENTADOS

Cecílio Linder

O GOVERNO PROCURA INDISPOR O "MUNDO" COM OS INATIVOS E LANÇAR TODOS - TRABALHADORES DA INICIATIVA PRIVADA, EMPRESÁRIOS, CONGRESSISTAS E, MESMO, OS FUNCIOÁRIOS AINDA EM ATIVIDADE, NUMA GUERRA SANTA CONTRA O APOSENTADO.

 

ASSIM, OS BENEFÍCIOS DOS APOSENTADOS SÃO CHAMADOS DE PRIVILÉGIOS

A DÍVIDA PARA COM OS APOSENTADOS, DE DÉFICIT

O VALOR DOS BENEFICIOS PAGOS AOS APOSENTADOS, DE ROMBO.

 

A ANIMOSIDADE ENTRE TRABALHADORES DA INICIATIVA PRIVADA E O FUNCIONALISMO VEM SENDO ALIMENTADA DESDE O INÍCIO DO PRIMEIRO MANDATO DO ATUAL GOVERNO, SEMPRE NAQUELA LINHA DO "O déficit dos 18 milhões de aposentados do INSS, que contribuíram para sua aposentadoria, será de R$ 8 bilhões, enquanto que o dos 905.000 inativos do serviço público federal, que nunca contribuíram com um centavo para sua aposentadoria, será de R$ 18 bilhões" , ou ainda, "A aposentadoria do trabalhador da iniciativa privada atinge, no máximo, cerca de R$ 900,00, enquanto que o funcionário leva para a aposentadoria o rendimento integral da ativa". e outras do gênero, JÁ PRODUZIU PEÇAS MUITO CURIOSAS, como a proposta do sindicalista PAULINHO e a intervenção do então dirigente de empreiteira TÁPIAS, hoje ministro do MINISTÉRIO do Desenvolvimento.

 

ATUALMENTE O GOVERNO SE VOLTOU PARA OUTRA VERTENTE, QUE É A DE PROVOCAR A CIZÂNIA DENTRO DA CLASSE DOS SERVIDORES, JOGANDO OS EM ATIVIDADE CONTRA OS APOSENTADOS, tendo como motivo condicionar o aumento salarial ao aumento da cobrança previdenciária dos inativos. É UMA LUTA ORQUESTRADA, ENSAIADA E REPETIDA NOS VÁRIOS ESCALÕES DO GOVERNO.

 

"O Presidente afirmou que o déficit previdenciário "BLOQUEIA" a possibilidade de o governo melhorar o salário dos servidores ativos, que não recebem aumento desde o princípio do seu governo". (Folha 21/10/99, p. 1-4). A situação da previdência é patética, diz o Presidente.

 

O Deput. WALTER FELDMAN(PSDB), líder do governo na Assembléia (Folha 01/08/99 p.A-5):"...precisam entender que se esse projeto(aumento da cobrança previdenciária) não for aprovado, o funcionalismo da ativa não terá mais aumento de salário".

 

Acontece que os da ativa olham para os aposentados e se vêem neles: "Eu sou você amanhã".

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Ofício enviado EM 22 DE FEVEREIRO DE 1.999, aos 94 Deputados Estaduais da Legislação passada (que se encerrou em março de 1999)

 

 

Os jornais de 11/02/99 noticiaram a reunião havida na véspera, em que o Senhor Governador apresentou o estudo sobre a proposta de cobrança dos funcionários - ativos e inativos - aos 11 líderes partidários na Assembléia. Dizem apenas que "o Governador quer escalonar as contribuições nos moldes da lei aprovada pelo Congresso para os federais".

Neste momento é importante lembrar, para que não se cometam mais injustiças, que:

1.- O funcionalismo paulista sempre contribuiu com 6% do seu salário integral para o IPESP. Por isto, se o governo contribuiu com a sua parte, não deve ter despesas com as viúvas.

2.- O funcionalismo paulista sempre contribuiu com 2% do seu salário integral para o IAMSPE. Desse desconto até hoje ninguém falou, nem governo nem mídia.

3.-Assim, o funcionalismo paulista sempre contribuiu com 8% do seu salário integral.

4.- O funcionalismo paulista, ao contrário do que dizia o governo em relação aos federais, não recebe promoção ao entrar para a inatividade. Não há, pois, o tal aumento de até 20% na remuneração.

5.- O funcionalismo paulista, quando se aposenta, ao contrário do que dizia o governo em relação aos federais, não deixa de recolher a sua contribuição previdenciária obrigatória: 6% para o IPESP. E muitos continuam recolhendo os 2% do IAMSPE, totalizando 8% de descontos. Também não há o tal aumento de 11% na remuneração do inativo.

6.- O funcionalismo paulista, ao passar para a inatividade, não tem nenhum tipo de aumento na sua remuneração.

 

Se o Governo Federal queria justificar a cobrança dos inativos perante a opinião pública como sendo o corte do adicional agregado à remuneração havido por ocasião da passagem para a inatividade, no Estado de São Paulo este argumento não é válido. Qualquer corte seria na carne e não na gordura, como lá o Governo Federal fazia crer.

Por fim, passadas 3 semanas da aprovação da cobrança aos federais, ao contrário do que ameaçava o Governo num momento de comoção nacional, não foi por aí que se recuperou isso que chamam de "confiança do mercado ", pois não reverteu a queda do Real nem a hemorragia das reservas.

Esperamos que nossa Assembléia Legislativa, da qual Vossa Excelência é membro, ao receber a proposta do Governo sobre a cobrança aos inativos, com altivez e independência, em nome do povo que elege seus representantes, tendo já passado aquele momento conturbado, não desfira , em nosso Estado, o mesmo golpe que o Congresso perpetrou em Brasília, contra os inativos federais.

Muito respeitosamente,

 

Cecílio Linder - RG 50.536-6 SSP-SC

Praça Carlos Gomes, 152 - Centro

18600-100 - BOTUCATU SP

Anexo

(Foi anexado o documento "A APOSENTADORIA DOS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS", o qual pode ser acessado neste "site" "clicando" em aposentadoria)

 

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Ofício enviado aos Srs. Deputados Estaduais no início da atual legislatura, depois de ter conhecimento do documento entregue pelo Governador aos líderes dos partidos na Assembléia Legislativa, que trata da Previdência no Estado de São Paulo

 

Botucatu, 15 de março de 1999

 

Exmo.Sr.

kkkkkkkkkkkkkkk

DD. Deputado Estadual

Assembléia Legislativa - Pq. Ibirapuera

04097-900 - SÃO PAULO

 

EXMO.SR. DEPUTADO

 

A presente correspondência refere-se à proposta do governo, de aumentar a cobrança do funcionalismo paulista. É continuação de outra enviada em 22/02/99 aos Senhores Deputados da Legislatura passada. Na ocasião não conhecíamos o conteúdo do material distribuido pelo Governador aos Líderes partidários, do qual agora possuimos cópia.

 

Antes mesmo de comentar as alegações e os dados distribuidos pelo governo, é fundamental, Senhor Deputado, atentar para os seguintes fatos:

 

1. O governo e a mídia ignoram completamente os 2% sobre o salário integral que o funcionário ativo paga ao IAMSPE (Aos inativos a vinculação ao IAMSPE é facultativa. Mesmo assim, muitos pagam). Há que dirigir os holofotes sobre o IAMSPE afim de que ninguém mais o ignore.

2. O governo mistura aposentadorias e pensões. Não é correto esse procedimento, porque o funcionalismo paulista - ativos e inativos - recolhe 6% do seu salário integral para o IPESP. É daí que saem as pensões para as viúvas e os dependentes. O Estado deve recolher sua parte - 6% do salário também - mas não o faz desde 1958! E na gestão do IPESP devem participar servidores e suas associações, desde a Constituição de 1988! Até agora, nada! Mesmo sem a participação dos 6% do Estado, o IPESP paga integralmente às viúvas e aos dependentes, com a contribuição exclusiva dos funcionários e ainda sobra qualquer coisa entre R$ 24 milhões e 108 milhões/ano (Cálculado a partir dos dados oferecidos pelo governo).

3. A aposentadoria com salário integral, sem a contribuiçao - pejorativamente chamada de "privilégio" - não é privilégio. O privilégio é a exceção ao direito comum ou à regra geral. Por isso, todo privilégio é odioso. No caso, é a maneira de o Estado compensar seus servidores, que não contavam - e não contam - com alguns dos "privilégios" (que também não são privilégios) concedidos aos trabalhadores da iniciativa privada, como por exemplo:

a) Direito de greve, que os servidores não tinham até 1988.

b) Direito de se sindicalizar, que os servidores também não tinham até 1988.

c) Obrigatoriedade, em muitos setores, do servidor ingressar no regime de tempo integral e dedicação exclusiva, frustrando qualquer outra fonte de renda.

d) O Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, formado pelo patrão. O funcionário nunca teve e não tem. Dá ao trabalhador da iniciativa privada, ao se aposentar, condições de iniciar um negócio, abrir uma firma, enfim, iniciar uma nova atividade lucrativa. O Servidor não conta com isso quando se aposenta.

4.Portanto, abstraindo da SAÚDE ( IAMSPE), paga pelo funcionário, e da PENSÃO (IPESP), coberta, com sobra, pela contribuição isolada do servidor, resta a aposentadoria, dos atuais inativos e dos em atividade, que deve ser coberta pelo Tesouro do Estado, a partir dos impostos, taxas e contribuições do povo paulista como um todo. Com a criação de fundo ou outra alternativa, se for o caso. Porém, sem cortes, ou outros artifícios que diminuam a remuneração. O funcionário - professor, médico, atendente e etc. - é contratado do povo, trabalha para o povo, o qual, através do seu representante, Governador ou Secretário de Estado, na hora do contrato, há 40 ou 30 anos, se comprometeu a custear a aposentadoria integral, quando ela viesse. O contrário disso seria o calote, i.é., fazer a dívida sem a intenção de pagá-la.

5. Por fim, mas não menos importante, ao contrário do que o Governo diz dos servidores federais, que teriam aumento de até 31% dos seus proventos ao entrar para a inatividade (20% de promoção e 11% por deixar de recolher a contribuição), o funcionalismo paulista não tem aumento de qualquer espécie e a qualquer título quando se aposenta.

Esperamos que a Assembléia Legislativa, da qual Vossa Excelência é membro, saiba, com altivez e independência, rechaçar a proposta do Governo, de cortar a remuneração dos seus servidores.

 

Muito respeitosamente,

 

Cecílio Linder - RG 50.536-6 SSP-SC

Praça Carlos Gomes, 152 - Centro

18600-100 - BOTUCATU - SP

 

Anexo

ANEXO ao ofício de 15/03/1.999

No material entregue pelo Governador aos Líderes partidários destacam-se:

Na pág. 1 - O sistema previdenciário é excessivamente oneroso.

O fato de alegar ser oneroso não justifica a proposta de corte.

***********

Para cada R$ 10 o Tesouro arca com R$ 8,9

A contribuição dos servidores:R$ 767,5 milhões(quer dizer por/ano)

Na pág. s/n "Distrib. de Func. por Categ.", o governo alega que paga R$ 57.166 milhões/mes, de pensões do IPESP. Dá R$ 743.158 milhões/ano. Sobram R$ 24 milhões ao Tesouro.

Se a contribuição de 6% para o IPESP for calculada pela massa salarial que paga IPESP: R$ 1.182,215 milhões/mes (pág. citada) , o valor sobe para R$ 71 milhões/mes, ou R$ 851 milhões/ano. Neste caso sobram R$ 108 milhões que voltam aos cofres do Estado.

De qualquer maneira, misturar aposentadorias com pensões não é aconselhável, já que em São Paulo elas não estão atreladas umas às outras.

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Foi esquecida a contribuição ao IAMSPE.Não pode. Há que ser lembrada.

*************

Na pág. 2 do material, lê-se "O atual sistema de contribuição é insustentável"."O déficit vem crescendo". Na pág. 4 : "Dificulta o cumprimento da legislação federal". Nas págs. 2 e 4, 4 gráficos procuram acentuar o crescimento do peso dos inativos e da folha total de pagamentos. É preciso considerar que o dado para 1998 ainda não foi calculado. Os valores absolutos da tabela da pag. 2 são assustadores, atendem aos propósitos do governo. Contudo, no mesmo material, na pág. 4 vê-se que, na realidade, a participação das despesas de pessoal, em relação à arrecadação, que é o dado que efetivamente interessa, PRÀTICAMENTE NÃO VARIOU NOS ÚLTIMOS 4 ANOS, MESMO UTILIZANDO OS DADOS APRESENTADOS PARA 1998. Portanto, não se configura o aumento apregoado pelo governo. Apesar do grande número de aposentadorias dos últimos anos, pelo receio de prejuizos, dadas as ameaças que pairam no ar desde 1995. Isto, aliás, deve fazer cair o ritmo das aposentadorias daqui para a frente.

***************

Na pág. 3 lê-se que "O atual sistema previdenciário é regressivo na distribuição dos beneficios".

A tabela mostra que quase a metade - 200.000 - recebe 9,4% do bolo. Na tabela da pág. s/n (Distrib. de Func. por Categ.) se vê que o que o governo chama de distribuição regressiva resulta da massa de pensionistas do IPESP, outras pensões e as complementações de aposentadoria ou de pensão, que são remunerações mais baixas. Apesar de chamar a isso de distribuição regressiva, não há nenhum propósito de aumentar o rendimento dessa população. Porque então invocar o caráter regressivo?!?

*********

Por fim, na iniciativa privada, quando o patrão pretende mudar alguma coisa, chama o sindicato e apresenta as propostas. Os trabalhadores discutem as propostas, modificam, etc., até que patrões e operários entrem em acordo.

E o patrão "Estado", como procede?

*********

Quando a iniciativa privada pede sacrifício dos seus trabalhdores sempre embute alguma vantagem na proposta. Com a certeza de que o sacrifício será temporário, enquanto durarem as condições adversas.

E o patrão " Estado", como procede?

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Ofício convidando o Deputado Estadual CAMPOS MACHADO para discutir o projeto do Governo do Estado para a Previdência. A vinda nunca se concretizou.

 

Botucatu, 24 de março de 1999

 

Excelentíssimo Senhor

CAMPOS MACHADO

DD Deputado Estadual

Assembléia Legislativa - Pq. Ibirapuera

04097-900 - SÃO PAULO

 

Excelentíssimo Senhor Deputado

 

O DEPARTAMENTO DE PREVIDÊNCIA da AD-ASSOCIAÇÃO DOS DOCENTES e a UNIÃO DOS DOCENTES APOSENTADOS, ambos da UNESP-UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA, Campus de Botucatu, têm a subida honra de CONVIDAR Vossa Excelência para apresentar e discutir a proposta previdenciária do Governo do Estado, que visa modificar o valor atual da cobrança.

Ambas as entidades contam, desde já, com a vossa anuência, e aguardam com muito interêsse esse pronunciamento. A data deste encontro fica em aberto, dependendo da disponibilidade de tempo na vossa agenda, porém desejam que seja o mais breve possível.

 

Esperando poder contar com a presença de Vossa Excelência entre nós em breve, subscrevemo-nos antecipadamente gratos e muito

Respeitosamente,

 

Departamento de Previdência-AD União dos Docentes Aposentados

 

Ednir Salata - Diretor Cecílio Linder - Presidente

 

Luiz Gonzaga de Souza - 1o Vice-Diretor Ede Cereda - 1o Secretário

 

Neuton Dezoti - Diretor Jurídico